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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2019

Sobre o autor

Sônia Hoffman

Sônia Hoffman

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       As expressões crianças especiais, pais especiais e outras especialidades são rotineiramente utilizadas. Se raciocinadamente analisadas, porém, chegaremos facilmente à conclusão de que nelas existe mesmo uma certa contradição filosófica.

       Como Obras de Deus, criados inicialmente simples e ignorantes, todos absolutamente somos especiais e cada um, em seu determinado aspecto evolutivo, apresenta dificuldades, talentos, habilidades e necessidades de melhoramento, uma vez que estamos reencarnados em um mundo de prova e expiação (planeta Terra).

       Outrossim, é preciso reflexionar sobre o sentimento de uma criança que ouve que outra, por ter uma deficiência, é especial e ela não o é. Ora, essa criança se considera, e muitas vezes escuta de seus pais, que ela representa o foco das suas atenções, cuidados, carinho, amor. No entanto, existe a ambiguidade e até o contraditório: "eu deixo de ser especial porque não tenho uma deficiência?", "será preciso eu ter uma deficiência para ser especial para meus pais, família, professores, amigos?", "minha mãe e meu pai não são especiais porque eu não tenho a deficiência mental, visual, auditiva, motora ou não me encontro no espectro do autismo?".

       Para além dessa reflexão, é importante considerar que, atualmente, a nomenclatura vigente para referir-se a alguém com deficiência, ou qualquer outro transtorno e conduta típica, é pessoa com deficiência ou pessoa com mobilidade reduzida. Essa designação foi deliberada na conferência da Organização das Nações Unidas, (ONU) e adotada por todos os países signatários, tomando força de lei na legislação brasileira.

       Historicamente, foram usados vocábulos como cretinismo, idiotia, imbecilidade para designar aqueles com alterações mentais (adotadas até mesmo em O Livro dos Espíritos). Posteriormente, vigorou o rótulo excepcionais, abarcando todos com alguma desordem física, sensorial ou mental. Mais adiante "pessoa portadora de necessidades especiais" (#PPNE) ou "pessoa portadora de deficiência” (PPD tomou larga utilização). Contudo, após diversas considerações e debates, percebeu-se que alguém não porta a sua deficiência, #incompletude ou dificuldade e sim que esse alguém tem, momentânea ou mais alargadamente, essa adversidade e com ela está convivendo, seja de forma compulsória ou pela solicitação em planejamento reencarnatório. Desse modo, foi também abolido o vocábulo "portador".

       Sob essa perspectiva, precisamos ter em mente o quanto é importante que possamos sempre desenvolver o hábito de refletir sobre a mensagem subjacente em nossas palavras e tornarmos definido o entendimento que não somos, e ninguém é, a representação da falta, mas a possibilidade de preenchimento, de traçar uma nova rota evolutiva, de nos #ressignificar como ser imortal. Nesse sentido, o termo "pessoa", sempre que possível e em nosso estágio, toma primordialmente o #ponto-chave.

       A busca pela (#re) valorização do ser vem também pela reflexão quanto ao modo de rotularmos o nosso próximo, pois as palavras utilizadas expressam mais do que imaginamos os (#pre) conceitos guardados em nossa intimidade ou o que almejamos nos tornar: um ser especial para alguém, alguém estimado, amado, percebido.

       Portanto, necessário repensar o que falamos sem uma análise mais abrangente ou será que alguém por não ter uma deficiência deixa de ser especial e não merece de cada um o respeito, a fraternidade, o acolhimento? Vamos pensar sobre isso e realinhar nossa atitude, começando ou terminando pelo uso das palavras.

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