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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2019

Sobre o autor

Leonardo Vizeu

Leonardo Vizeu

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Dentro do universo teológico, um dos temas que é objeto de debates acalorados por parte das religiões deterministas ocidentais, de matrizes abraamicas, é a reencarnação e, consequentemente, o esquecimento do passado.

Diferentemente das religiões orientais dármicas, que têem por base a evolução e a busca da perfeição (felicidade), o determinismo das religiões ocidentais se fulcra em uma única existência, na qual o indivíduo poderá ser salvo ou condenado a danação eterna. Argumenta-se contra a reencarnação e o esquecimento do passado; que Deus não poderia punir uma pessoa por um pecado do qual ela não tem consciência de que cometeu. Vale ressaltar que a reencarnação e o esquecimento do passado não são princípios exclusivos das religiões orientais dármicas.

Na obra Górgias, que se trata de um diálogo sobre retórica, travado, hipoteticamente, entre Sócrates e o sofista siciliano Górgias, Platão descreve o Tártaro como o local no pós vida destinado aos injustos e impiedosos, descrevendo, ainda, como seria o Mundo dos Mortos, composto dos Campos Elísios, destinado às almas boas, e do Campo de Asfódelos, para onde eram enviadas as almas isentas de virtudes e de maldades.

A preparação para o pós vida dependia de rituais fúnebres adequados, que consistiam na cremação e colocação de óbolos (moedas) nos olhos para pagar o barqueiro Caronte. Por sua vez, a jornada de Caronte consistia em guiar o barco até o palácio de Hades, passando por cinco rios principais, dentre os quais se destaca o Rio Lete (do esquecimento), no qual as almas bebiam de suas águas, para ganharem uma nova existência.

Assim, dentro da religiosidade politeísta dos helenos, o esquecimento do passado era uma condição inexorável para que a pessoa retornasse ao mundo dos vivos. PortandoDe tal forma que, o esquecimento do passado não se trata de apostasia ou de heresia, mas de princípio religioso amplamente registrado em diversas manifestações do sagrado, ao longo da história. Em que pese ser uma filosofia de caráter científico e religioso ocidental, de matriz cristã, um dos pilares do Eespiritismo é a reencarnação, com o fito de depuração do ser para a perfeição.

Sem o esquecimento do passado, tornar-se-ia impossível dar ao indivíduo uma nova oportunidade de se autocorrigir por meio do aprendizado. Observe-se que as religiões de matriz abraamicas, por se basearem no conceito de uma única existência, entendem que a salvação advém exclusivamente do arrependimento dos pecados e da conversão a sua fé.

Sem Na falta desses dois atos (conversão e arrependimento), a salvação não será alcançada. Portanto, entendem, posto que o esquecimento impossibilita o arrependimento, uma vez que suprimeao suprimir do ser as lembranças dos erros dos quais deve se arrepender-se e pedir perdão, por meio da aceitação da fé, como únicas e derradeiras forma de salvação.

Todavia, para as religiões evolucionistas e dármicas, não há o conceito de salvação, mas de perfeição e felicidade, as quais somente serão alcançadas com a depuração do ser por meio de aprendizado (intelectual e moral) e da expiação das faltas pretéritas, por meio do amor, cujo instrumento é o trabalho, ou da dor, cujo da qual o instrumento será o sofrimento. Sem o conceito da reencarnação, a Justiça Ddivina perde toda sua razão e proporcionalidade, uma vez que os nascidos em condição mais privilegiada,  seriam menos tentados aos erro e ao pecado. Outrossim, sem a reencarnação e a expiação, o mal praticado ficaria sem a devida reparação e a alma ofendida, sem a justa compensação.

AssimLogo, não há como se negar a reencarnação como instrumento mecanismo de Justiça Ddivina, sem a qual o Criador não seria soberanamente justo e bom.

Agora, como se proporcionar ao ser a oportunidade de reparar uma falta capital cometida em face se de seu próximo, se o ofensor é constantemente atormentado pela lembrança viva de seu erro? Como operar a recomendação bíblica de perdoar uns aos outros (“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; sSe, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas”, . - Mateus VI:14,15), sem o esquecimento do pecado? Como a evolução aproxima a Lei dos Homens das Leis de Deus, o Direito ao Esquecimento já se trata de instituto jurídico de ampla aplicação. ?

Em maio de 2014, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que sítios de pesquisa podem ser obrigados a filtrar resultados de buscas, para esconder informações sobre determinada pessoa, sendo que, no mesmo ano, foi aprovada a regulamentação sobre a privacidade online, que permite solicitar a exclusão do conteúdo.

No Brasil, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que se aplica o Direito ao Esquecimento em relação a réus que foram absolvidos ou já cumpriram sua pena e pagaram seu débito com a sociedade, vide Recurso Especial nº 1.335.153-RJ.

Assim, as lições do Espírito da Verdade revelam-se acertadas, conforme resposta da questão 393 do Livro dos Espíritos, bem como na explicação do item 11 do Capítulo V do Evangelho segundo o Espiritismo.

Vide: Bíblia on line; Livro dos Espíritos (FEB); Evangelho segundo o Espiritismo (FEB).

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